Simulador de Financiamento
Simula financiamento (Tabela Price ou SAC) com valor, prazo e taxa. Mostra parcelas, total pago e juros.
- 1ª parcela
- Última parcela
- Total pago
- Juros pagos
Price vs SAC
Na Tabela Price todas as parcelas saem com o mesmo valor. No começo você paga mais juros e amortiza pouco; com o tempo a proporção se inverte.
Já no SAC a amortização fica fixa e os juros vão caindo. A primeira parcela pesa mais, em compensação o total de juros pago fica abaixo do que se vê na Price.
É um cálculo simplificado, que não entra com TR, seguro nem tarifa.
Financiamento no Brasil: guia completo de imobiliário, veicular e consumo
Um financiamento é uma operação de crédito de longo prazo em que uma instituição financeira adianta o valor necessário para a aquisição de um bem específico — em geral um imóvel, um veículo ou um produto de ticket alto — e recebe de volta, ao longo de meses ou décadas, o principal acrescido de juros, tarifas, tributos e seguros. Diferentemente do empréstimo pessoal, no financiamento o bem adquirido funciona como garantia real via alienação fiduciária, instituto criado pela Lei 9.514/1997 e reforçado pela Lei 10.931/2004 para o Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI). Como o banco mantém a propriedade do bem até a quitação, o risco cai e os juros ficam bem abaixo das linhas sem garantia.
Financiamento vs. empréstimo: onde está a diferença
No empréstimo o dinheiro é livre; no financiamento o crédito vai direto para o vendedor e fica vinculado a um bem. Três consequências: (1) juros menores pela garantia; (2) prazo muito mais longo — até 35 anos no imobiliário, 60 meses em veículos; (3) documentação mais pesada (avaliação, registro, comprovação de renda). Saber qual produto se aplica é o primeiro passo para uma dívida eficiente.
SAC e Tabela Price: os dois sistemas de amortização
Todo contrato precisa definir como cada parcela mensal será dividida entre amortização (devolução do principal) e juros (cobrados sobre o saldo devedor remanescente). No Brasil predominam dois sistemas, e a escolha entre eles pode mudar o custo total do contrato em dezenas de milhares de reais.
- SAC (Sistema de Amortização Constante): a parcela de amortização é igual todos os meses; como o saldo cai mais rápido, os juros diminuem e as prestações ficam decrescentes. A primeira parcela é a mais alta, a última é a mais baixa, e o total de juros pago é menor do que na Price para a mesma taxa e prazo. É o sistema padrão da Caixa nos contratos do SFH.
- Price (Tabela Price): a parcela é fixa; no começo a maior parte é juros e pouca coisa é amortização — e essa proporção se inverte ao longo do tempo. É mais fácil de planejar no orçamento, mas o tomador carrega um saldo devedor maior por mais tempo e paga mais juros em valor absoluto.
Em números: para um empréstimo de R$ 100.000 em 120 meses a 11,5% ao ano, a primeira parcela no SAC fica em torno de R$ 1.744 contra R$ 1.374 na Price — mas a SAC termina cerca de R$ 25.000 mais barata. SAC é vantajosa para quem tem renda confortável e pretende quitar antes; Price atende quem precisa de uma prestação inicial menor para caber no limite de comprometimento de renda.
CET — Custo Efetivo Total: olhando além da taxa nominal
A taxa de juros anunciada nunca conta a história completa. O Custo Efetivo Total (CET), regulamentado pela Resolução CMN 3.517/2007 e reforçado pela Resolução 4.881/2020, é o percentual que agrega todos os custos que o tomador vai efetivamente pagar, expresso em forma de taxa anual (ou mensal) equivalente. O Banco Central obriga as instituições financeiras a informar o CET antes da assinatura do contrato.
- Juros remuneratórios mais a Taxa Referencial (TR), quando aplicável.
- IOF (Imposto sobre Operações Financeiras): 0,38% sobre o principal mais 0,0082% ao dia (limitado a 365 dias) no crédito comum; financiamento imobiliário é isento de IOF.
- Seguro MIP (Morte e Invalidez Permanente) — cobertura que quita o saldo devedor em caso de falecimento.
- Seguro DFI (Danos Físicos ao Imóvel) — proteção obrigatória contra incêndio, raio e danos estruturais.
- Tarifas: taxa de administração mensal, avaliação do imóvel, registro no cartório de imóveis.
Um banco que anuncia 9,99% ao ano pode terminar com CET maior do que um concorrente de 10,49% simplesmente porque o pacote de seguros e tarifas pesa mais. Na hora de comparar propostas, olhe sempre o CET, não a taxa nominal.
Modalidades no Brasil: SFH, SBPE, FGTS, veicular e consignado
- SFH (Sistema Financeiro de Habitação): imóvel residencial de até R$ 2,25 milhões (limite revisado em 2026), juros limitados a 12% ao ano + TR, permite uso do FGTS na entrada ou na amortização.
- SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo): financiado por depósitos da poupança; alcança imóveis de ticket mais alto; em 2026 a taxa de balcão da Caixa parte de 11,19% + TR e a do Banco do Brasil em torno de 11,74% + TR.
- Minha Casa Minha Vida: taxas subsidiadas a partir de cerca de 4% ao ano para famílias dentro das faixas de renda do programa.
- Financiamento veicular (CDC): prazo típico de 24 a 60 meses, taxas entre 1,4% e 2,5% ao mês, com o veículo gravado com alienação fiduciária no Detran.
- Crédito consignado: parcelas descontadas em folha de salário ou benefício; menores taxas do mercado sem garantia real por causa do baixíssimo risco de inadimplência.
Estratégias para pagar menos juros
- Amortização extraordinária: todo pagamento adicional vai direto no saldo devedor e elimina os juros que seriam cobrados sobre aquela parcela do principal nos meses seguintes. Escolha entre reduzir o prazo (economia maior) ou reduzir o valor da parcela (alívio no orçamento).
- FGTS na amortização: a cada 24 meses o tomador pode usar o FGTS para amortizar ou pagar prestações de contratos no SFH, respeitando as regras de elegibilidade do programa.
- Portabilidade (Resolução CMN 4.292/2013): transferência do saldo devedor para outro banco que ofereça taxa menor — os bancos são obrigados por lei a aceitar a migração.
- Renegociação: quando a Selic recua, vale pedir ao banco atual uma revisão de taxa antes mesmo de acionar a portabilidade.
Risco e capacidade de pagamento: a regra dos 30%
Os bancos brasileiros normalmente limitam a primeira parcela a 30% da renda bruta familiar. Estourar esse teto aperta o orçamento e aumenta a chance de inadimplência justamente nos momentos em que despesas inesperadas aparecem — saúde, desemprego, choques de inflação. Antes de assinar, simule o cenário pessimista: o que acontece com o orçamento se a Selic subir 2 pontos percentuais, ou se uma das fontes de renda for interrompida por seis meses?
FAQ
O SAC sempre ganha da Price? Em juros totais, sim — para a mesma taxa e prazo. Mas o SAC exige renda inicial maior, e muitos tomadores simplesmente não se enquadram na regra dos 30%.
Posso trocar de Price para SAC durante o contrato? Não unilateralmente; depende da política do banco e em geral exige renegociação ou portabilidade para um novo contrato.
Por que o banco cobra seguros MIP e DFI? Porque protegem a garantia e o saldo devedor: garantem que falecimento ou sinistro no imóvel não deixem o credor descoberto. São obrigatórios nos contratos do SFH/SFI.
A TR ainda é relevante em 2026? Sim — ela adiciona cerca de 1,17% ao ano à taxa nominal nos contratos SFH/SBPE; em contratos prefixados não se aplica.
Qual a diferença entre CET e CESH? O CET é o custo efetivo total; o CESH (Custo Efetivo do Seguro Habitacional) isola a parcela dos seguros, também de divulgação obrigatória.
Simule um financiamento (Price ou SAC)
Antes de assumir um financiamento de imóvel ou de veículo, compensa entender como as parcelas vão se comportar, porque isso depende do sistema de amortização. Este simulador atende tanto a Tabela Price, de parcelas fixas, quanto o SAC, de parcelas que vão caindo.
Você preenche o valor, o prazo e a taxa. A ferramenta então mostra as parcelas, o total que sai do bolso até o fim e quanto disso é só juros. Colocar os dois sistemas lado a lado escancara o trade-off: no Price a parcela é igual do começo ao fim, enquanto no SAC ela começa salgada mas derruba a dívida e os juros totais mais rápido.
Todo o cálculo roda no navegador, na hora, sem guardar seus dados. Simule combinações diferentes para encontrar o sistema e o prazo que cabem no seu orçamento antes de assinar o contrato.
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Os resultados desta ferramenta têm caráter apenas informativo e educativo e não constituem aconselhamento profissional, financeiro, médico, jurídico, tributário ou contábil. Confirme decisões importantes com um profissional qualificado e fontes oficiais.