Análise por Cifra Romana
Veja os acordes diatônicos (análise por cifra romana, de I a vii°) de qualquer tonalidade maior. Ideal para estudar harmonia, compor e analisar músicas.
I ii iii IV V vi vii°
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Análise de cifra romana, função dos acordes em qualquer tom
A análise por cifra romana é uma notação da teoria musical em que cada acorde é rotulado pelo grau da escala em que sua fundamental se apoia, em vez do nome de letra. Como os numerais descrevem uma relação dentro da tonalidade, a mesma análise transpõe instantaneamente: I-V-vi-IV é a mesma progressão em Dó, em Sol ou em Mib. As convenções são rígidas e vale memorizar. Maiúsculas — I, IV, V — indicam tríades maiores. Minúsculas — ii, iii, vi — indicam tríades menores. O sinal ° marca um acorde diminuto (vii° em qualquer tonalidade maior) e + marca um aumentado.
Distribuídos pelos sete graus diatônicos, Dó maior lê-se I = C, ii = Dm, iii = Em, IV = F, V = G, vi = Am, vii° = B°. A relativa Lá menor natural lê-se i = Am, ii° = B°, III = C, iv = Dm, v = Em, VI = F, VII = G — observe os maiúsculos em III, VI e VII por serem tríades maiores. Na prática, compositores elevam a sétima da menor para obter uma sensível, transformando v em V (ou V7) e produzindo uma cadência autêntica. Inversões herdam números da baixaria cifrada: I⁶ é a primeira inversão (terça no baixo), I⁶/₄ é a segunda inversão (quinta no baixo) e V⁷ é o dominante com sétima. Dominantes secundários usam barra: V⁷/V ("cinco sete de cinco") é o dominante do dominante — D7 em Dó maior, resolvendo em G.
Para que serve: composição, transposição, treino auditivo
Os numerais expõem estruturas que os nomes de letra escondem. Reduzir uma música a I-V-vi-IV revela o mesmo esqueleto em Don't Stop Believing, Let It Be, With or Without You, No Woman No Cry e dezenas de outras — o famoso medley Axis of Awesome. Estudantes de jazz treinam ii-V-I em todos os tons porque quase todo standard é uma cadeia de ii-V-I modulando. O som doo-wop dos anos 50 é I-vi-ii-V ou I-vi-IV-V. A análise romana também é a forma mais rápida de transpor: passe a cifra para numerais, escolha a nova tônica e expanda. Cantores fazem isso ao vivo toda vez que a banda muda de tom.
Origem: do baixo cifrado a Gottfried Weber
O sistema descende do baixo cifrado barroco, em que uma nota no baixo acompanhada de números indicava a harmonia acima. O teórico alemão Gottfried Weber formalizou os numerais romanos entre 1817 e 1821 em Versuch einer geordneten Theorie der Tonsetzkunst. A teoria das funções de Hugo Riemann, no fim do século XIX, agrupou os graus em famílias de tônica, subdominante e dominante; já a análise estrutural de Heinrich Schenker tratava trechos longos como elaborações de um único I-V-I. A notação de Berklee moderna estende os numerais com alterações entre parênteses como V7alt ou V7(b9) para voicings de jazz. Em software, MuseScore, Sibelius e Dorico permitem digitar análises romanas abaixo da pauta; Logic Pro e muitas DAWs convertem trilhas de cifra em numerais sob demanda.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre i e I? A caixa carrega a qualidade. Minúsculo i é uma tríade menor no primeiro grau (Am em Lá menor); maiúsculo I é uma tríade maior (A em Lá maior). A mesma letra, portanto, descreve qualidades opostas conforme a caixa — não há outra forma de ler.
A análise romana substitui a cifra normal? Não — ela complementa. A cifra (C, Am7, F/A) diz ao músico o que pegar no instrumento. O numeral romano diz ao analista qual o papel daquele acorde dentro da tonalidade. Lead sheets de ensino e arranjo costumam carregar as duas camadas juntas.
Dá para transpor uma música só com os numerais? Sim, esse é o principal ganho prático. Converta o chart para numerais uma única vez e expanda em qualquer tom novo lendo a escala da nova tônica. Charts de banda de igreja e o sistema de números de Nashville usam exatamente esse fluxo.
Como ficam os numerais em tonalidades menores? As tríades diatônicas em menor produzem III, VI e VII maiúsculos (maiores) e i, iv, v minúsculos, com ii°. Como a menor natural não tem sensível, a prática clássica eleva a sétima e escreve V ou V7 em lugar de v para uma cadência autêntica; menor harmônica e menor melódica formalizam esse ajuste.
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