Corretor Ortográfico
Habilita o spellcheck nativo do navegador para revisar ortografia. Aceita PT, EN e outros idiomas conforme o sistema.
Erros são sublinhados pelo navegador. Clique com o botão direito sobre uma palavra para ver sugestões.
Como funciona?
Por trás disso está o spellcheck nativo do navegador, que se apoia nos dicionários do próprio sistema operacional. Nada é enviado para fora.
Há um pré-requisito: o idioma que você quer corrigir precisa estar instalado no sistema. No Chrome ou no Edge, o caminho é Configurações → Idiomas → Verificação ortográfica.
Precisa de algo mais rigoroso? Vale recorrer a ferramentas dedicadas, como o LanguageTool.
Correção ortográfica: dicionários, distância de edição e modelos de linguagem
Um corretor ortográfico compara cada palavra de um texto contra um léxico autoritativo e marca o que não aparece nele, opcionalmente sugerindo substituições. Os corretores modernos empilham várias camadas: um dicionário base de lemas, um analisador morfológico que sabe que "correndo" é forma válida de "correr", um motor de distância de edição que ordena candidatos e, cada vez mais, um modelo de linguagem contextual que decide entre alternativas válidas com base nas palavras vizinhas. O primeiro corretor interativo, o SPELL de Ralph Gorin, rodou no PDP-10 de Stanford em 1971; o UNIX embarcou o "spell" de Doug McIlroy em 1975. Cinquenta anos depois os princípios são os mesmos; só os dicionários e a maquinaria estatística cresceram várias ordens de grandeza.
Esta página oferece um corretor no navegador que delega ao atributo HTML spellcheck, usando o dicionário que o seu sistema operacional ou navegador fornece (Hunspell no Linux, corretor embutido do macOS, Windows Spell Check, dicionário do próprio Chromium). É um padrão razoável mas tem limites — especialmente para o português: a qualidade dos dicionários nativos varia entre plataformas e raramente entendem gramática ou contexto. As seções abaixo explicam como a correção ortográfica funciona, por que bons corretores ainda erram certas classes de problemas e quais ferramentas usar quando o nível de exigência é maior.
Acordo Ortográfico de 1990: acentos, hífen, trema e consoantes mudas
Qualquer corretor de português desenvolvido após 2009 precisa implementar o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, tratado intergovernamental que unificou a grafia entre os países lusófonos. No Brasil tornou-se obrigatório em 1º de janeiro de 2016; em Portugal em 13 de maio de 2015. A reforma alterou cerca de 0,5% do vocabulário brasileiro e 1,6% do europeu, mas seu impacto sobre dicionários e editores foi significativo.
As mudanças visíveis: o trema (os dois pontos sobre o u em freqüência, lingüiça, pingüim) foi abolido, restando frequência, linguiça, pinguim. O acento diferencial em pares mínimos desapareceu, então pára (verbo) e para (preposição) escrevem-se agora ambos para; pêlo (cabelo) e pelo (preposição) colapsam em pelo. Hiatos precedidos de ditongos em paroxítonas perderam o acento agudo: jóia virou joia, idéia virou ideia, assembléia virou assembleia. O circunflexo em duplos oo desapareceu: vôo virou voo. O hífen foi sistematizado: quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com r ou s, a consoante dobra e o hífen cai (anti-semita para antissemita, contra-regra para contrarregra); mas quando o prefixo e a próxima palavra compartilham a mesma vogal o hífen permanece (micro-ondas, anti-inflamatório). No português europeu o acordo também eliminou consoantes mudas que os brasileiros nunca pronunciaram: óptimo virou ótimo, acção virou ação, eléctrico virou elétrico. O alfabeto foi oficialmente expandido de 23 para 26 letras com a admissão formal de k, w e y. Um corretor robusto deve aceitar grafias pré e pós-reforma, idealmente com um aviso leve de que a forma antiga é obsoleta desde 2009.
Como funcionam os corretores: Hunspell e distância de edição
Quase todo corretor moderno é construído em torno da mesma tríade. Um arquivo de dicionário lista as palavras-raiz. Um arquivo de afixos descreve prefixos e sufixos, de modo que 50.000 lemas cubram milhões de formas de superfície. Um gerador de candidatos propõe substituições quando uma palavra falta, ordenadas por distância de edição e frequência. O Hunspell, escrito por László Németh a partir de 2003, é o padrão de fato de código aberto, usado pelo LibreOffice, Firefox, Thunderbird, Chrome (em alguns idiomas), macOS e Adobe. Estende o MySpell com suporte a morfologia complexa (composição, dupla afixação, regras condicionais). Um dicionário Hunspell de português brasileiro declara entre 80.000 e 200.000 raízes e cobre dezenas de milhões de formas flexionadas.
Quando uma palavra é desconhecida, o corretor enumera palavras do dicionário dentro de uma pequena distância de edição. Distância de edição, formalizada por Vladimir Levenshtein em 1965, é o número mínimo de inserções, remoções ou substituições de um caractere necessárias para transformar uma string em outra. O algoritmo Wagner-Fischer de programação dinâmica a calcula em tempo O(m × n). Os candidatos são ordenados por distância e, dentro da mesma distância, por frequência no corpus. O famoso corretor de 21 linhas em Python de Peter Norvig (2007) mostrou que essa técnica com um modelo probabilístico treinado em corpus grande atinge entre 80% e 85% de acurácia em erros de digitação comuns. A variante Damerau-Levenshtein acrescenta a transposição de caracteres adjacentes como uma única edição, capturando um dos erros de digitação mais comuns (teh para the).
Casamento fonético: Soundex, Metaphone e n-gramas
A distância de edição falha quando o escrevente erra foneticamente. Quem escreve "exceção" como "esceção" produz uma string várias edições distante da forma correta mas foneticamente idêntica. Algoritmos fonéticos reduzem tanto a entrada quanto os verbetes do dicionário a um código sonoro normalizado e então comparam códigos em vez de letras. O Soundex, patenteado em 1918 para casamento de nomes no censo dos EUA, mantém a primeira letra e codifica o restante como dígitos baseados em classes de consoantes. O Metaphone (Lawrence Philips, 1990) melhorou o Soundex considerando o contexto das letras e as regras de pronúncia; o Double Metaphone (2000) emite dois códigos para pronúncia ambígua. Para o português, BuscaBR e Metaphone-PT-BR adaptam as regras: colapsam s, ss, ç, sc, xc em um único código "s" e normalizam finais nasais (am, ão, an).
Um corretor puramente de dicionário não captura erros de palavra real: palavras válidas isoladamente mas erradas no contexto. "Vou ao concerto da panela" passa em qualquer checagem de dicionário porque "concerto" é palavra real. Detectar isso requer um modelo de quais palavras aparecem juntas. A solução clássica é o modelo de linguagem n-grama: conte com que frequência cada bigrama, trigrama ou sequência mais longa aparece num corpus de referência e então pontue sentenças por essas contagens. Se "conserto do carro" aparece 100.000 vezes e "concerto do carro" aparece uma, o corretor propõe a troca. O recurso de contextual spelling do Microsoft Word (2007) foi o primeiro produto mainstream a usar essa abordagem. Desde 2018 os modelos neurais baseados em transformers (BERT, GPT) começaram a substituir os n-gramas, pontuando qualquer token dado o restante da sentença e capturando erros de palavra real raros que os n-gramas perdem.
Limitações: homófonos, gramática e estilo
Nenhum corretor, por mais sofisticado, captura tudo. O português é rico em homófonos que confundem até escritores cuidadosos. Os pares clássicos incluem concerto (apresentação musical) vs conserto (reparo), mas (porém) vs mais (adição), há (verbo haver) vs a (preposição) vs à (preposição com artigo), cessão (cedência) vs seção (divisão) vs sessão (reunião), discriminar (distinguir) vs descriminar (descriminalizar), ratificar (confirmar) vs retificar (corrigir). Todas são palavras válidas; só o contexto decide. Um corretor contextual pega os casos óbvios ("vou ao concerto da banda") mas perde os sutis em contextos incomuns.
Além dos homófonos, corretores não impõem concordância sujeito-verbo, não detectam palavras faltando e não marcam problemas estilísticos como redundância, voz passiva ou pronomes vagos. Marcam demais nomes próprios, jargão técnico e neologismos a menos que você mantenha um dicionário personalizado. Sofrem com código, URLs e nomes de marcas. Trate o corretor como primeiro filtro, não como o último; um revisor humano ainda captura o que as máquinas não pegam.
Português brasileiro vs europeu; ferramentas profissionais
O português brasileiro (pt-BR) e o europeu (pt-PT) compartilham ortografia unificada após 2009 mas divergem em vocabulário e sintaxe. Brasileiros dizem ônibus, trem, geladeira, banheiro, celular, mouse, sorvete, terno; europeus dizem autocarro, comboio, frigorífico, casa de banho, telemóvel, rato, gelado, fato. Pronomes clíticos vão antes do verbo no Brasil, depois em Portugal; "estou fazendo" vs "estou a fazer". Um corretor afinado para uma variante marca como erro palavras válidas da outra. O Hunspell embarca pt_BR e pt_PT separadamente; LanguageTool, Word, Google Docs e Pages expõem a escolha.
Para escrita séria em português as quatro principais opções de 2026 são: LanguageTool (código aberto LGPL, API pública gratuita, auto-hospedável; o conjunto de regras em português cobre mais de 4.000 padrões incluindo conformidade AO90 e falsos cognatos); Grammarly (proprietário, dominante para inglês, suporte ao português adicionado no final de 2023 mas ainda menos maduro); Microsoft Editor (vem com Office 365 e Edge, beneficia-se do enorme corpus documental da Microsoft); ProWritingAid (mira ficção com relatórios de estilo e escores de legibilidade; suporte ao português mais fraco dos quatro). Para uso programático, o LanguageTool é o único com API aberta estável.
Perguntas frequentes
Este corretor funciona offline?
Sim. A ferramenta usa o atributo HTML spellcheck, que se apoia no dicionário já instalado no seu sistema operacional ou navegador. Nenhum texto é enviado a um servidor.
Por que não marca erros óbvios de homófonos?
Corretores que usam apenas dicionário verificam só se cada palavra existe. Erros como "concerto" no lugar de "conserto" ou "mas" no lugar de "mais" exigem um modelo de linguagem contextual — para isso, use LanguageTool, Grammarly ou Microsoft Editor.
O Acordo Ortográfico de 1990 ainda está em vigor?
Sim. Tornou-se obrigatório no Brasil em 1º de janeiro de 2016 e em Portugal em 13 de maio de 2015. Grafias pré-reforma (idéia, freqüência, óptimo) são incorretas para uso oficial, acadêmico e jornalístico.
Por que o corretor sublinha marcas e nomes próprios?
Os dicionários nativos não contêm toda marca ou sobrenome. Na maioria dos navegadores, clique com o botão direito numa palavra sublinhada para adicioná-la a um dicionário pessoal, evitando falsos positivos futuros.
Revise a ortografia do seu texto
Os navegadores de hoje já vêm com um corretor ortográfico embutido bem competente, mas ele nem sempre está ativo onde você precisa. O que esta ferramenta faz é oferecer uma área de texto com o spellcheck nativo ligado, sublinhando as palavras que parecem erradas conforme você digita.
Funciona com português, inglês e outros idiomas que o seu navegador tiver instalados, o que ajuda na hora de revisar e-mails, postagens, trabalhos e mensagens antes de mandar. Como ela aproveita o dicionário do próprio navegador, a correção aparece de imediato e não depende de serviço externo.
Roda tudo no navegador, sem o texto sair de lá. É um jeito ágil de dar uma conferida na escrita de qualquer texto sem precisar abrir um editor pesado.
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